terça-feira, 2 de setembro de 2014

As senhoras dos pássaros da noite.

IYAMI ÓSÓRÓNGÁ


Quem realmente é Iyami Òsòròngà, será a mãe dos Orisas?
"Eleye com uma boca redonda.
Pássaro àtíòro que desce docemente.
(Eles se reúnem para beber o sangue) voa sobre o teto da casa.
(Passando da rua) colocou no mundo
(Come desde a cabeça, eles estão contentes).
(Come desde a cabeça, eles estão contentes)
colocou no mundo (Chora como uma criança mimada).
(Chora como uma criança mimada) colocou no mundo ajé.
Quando ajé veio ao mundo ela colocou no mundo três filhos.
Ela colocou no mundo "Vertigem"
Ela colocou no mundo "Troca e sorte"
Ela colocou no mundo "Esticou-se fortemente morrendo".
Ela colocou no mundo estes três filhos.
Assim eles não têm plumas.
O pássaro akó lhes deu as plumas.
Nos tempos antigos, elas dizem que elas não gratificam o mal
No filho que tem o bem.
Eu sou vosso filho tendo o bem, não me gratificai o mal.
Vento secreto da Terra.
Vento secreto do além.
Sombra longa, grande pássaro que voa em todos os lugares.
Noz de coco de quatro olhos, proprietária de vinte ramos.
Obscuridade quarenta flechas (É difícil que o dia se torne noite).
Ela se torna pássaro olongo (que) sacode a cabeça.
Ela se torna pássaro untado de osùn muito vermelho.
Ela se torna pássaro, se torna irmã caçula da árvore akòko.
(A coroa sobe na cabeça) segredo de Ìdo.
A rã se esconde em um lugar fresco.
Mata sem dividir, fama da noite.
Ela voa abertamente para entrar na cidade.
Vai à vontade, anda à vontade, anda suavemente para entrar no mercado.
(Faz as coisas de acordo com sua própria vontade).
Elegante pássaro que voa no sentido invertido de barriga para cima.
Ele tem o bico pontudo como a conta esuwu.
Ele tem as pernas como as contas sègi.
Ele come a carne das pessoas começando pela cabeça.
Ele come desde o fígado até o coração.
O grande caçador.
Ele come desde o estômago até a vesícula biliar.
Ele não dá o frango para ninguém criar, mas ele toma o carneiro para junto desta aqui."
(Verger; 1992:90)

O texto de Verger é hermético, simbólico, truncado e reticente impelindo-nos a adentrar na complexidade do universo afro-descendente brasileiro

O sistema religioso africano-brasileiro é passado de geração a geração de forma oral, pois acreditam seus sacerdotes que a palavra verbalizada possui o poder de transmitir o Axé, força contida nos ensinamento herdados de seus ancestrais.

Os sacerdotes utilizam dos oráculos de Ifá e Jogo de Búzios para conhecer os odús, signos que contêm itans: contos milenares que versam sobre a história da criação do mundo e dos Orixás - divindades que simbolizam as forças da natureza, quando da separação do mundo em Orum (mundo celeste) e Aiê (mundo material).

O texto de Verger traduz alguns destes itans relativos a Iyami Òsòròngà, cuja tradução para a língua portuguesa é "Minha Mãe" Osoronga.

Iyami Osoronga é proprietária de um pássaro chamado Aragamago e de uma cabaça segundo o odú Ìrété Ogbè. (Verger; 1992:80).

Para os religiosos africanos e afro-descendentes, a representação mais perfeita do Universo é a Cabaça: Igbadu onde estão contidos os segredos da criação do Aiê. Odùa, Odù Lógbáje ou Iya Malé é o nome que Osoronga possui quando torna-se sua proprietária: Mãe dos Orixás.

Outra máscara de Iyami é como anciã, a mulher sábia e respeitável, que pode também ser chamada de Àgbà ou Igba nla: "Aos apelos que seus filhos fizerem, ela responderá do interior da cabaça, pois ela tornou-se idosa". (Verger; 1994:67)

Iyami Osoronga é um dos Orixás mais antigos, possui o poder de fecundar, fertilizar ou esterilizar conforme seu desejo. A força de Iyami é tão poderosa e aterradora que se alguém proferir seu nome deve colocar a ponta dos dedos no chão em sinal de respeito.

1.2 HIPÓTESES

O silêncio que ronda o nome de Iyami Osoronga leva a supor:

1. Se Osoronga foi um mito matriarcal do período neolítico ­ época na qual o sistema familiar, conceito de posse e leis não eram definidos, então o pânico, terror e superstição existente entre os sacerdotes e devotos dos cultos africano e afro-descendentes poderiam ser resultantes do medo de um caos social.

2. Caso a devotas de Iyami Osoronga não pudessem cultuá-la abertamente, devido o sincretismo religioso católico-iorubano, então seria venerada sob os véus da Irmandade da Boa Morte, através da devoção a Nossa Senhora.

1.3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

A escassez bibliográfica sobre o tema levou-nos a encontrar Iyami Osoronga sob as qualidades dos Orixás femininos retratados por Pierre Verger na Bahia e Nigéria, nos rituais nagô sobre a morte descritos por Juana Elbein, nos rituais axexê e mitos iorubanos comentados por Prandi e nos abiku, as crianças que nascem para morrer, pesquisados por Augras aprofundando- nos no Candomblé ­ percebendo-o enquanto fator de resistência política e cultural do negro - religião de origem africana estabelecida no País.

Nina Rodrigues1 foi o pioneiro no estudo da questão negra no Brasil, estudou as diferentes etnias africanas e sua religião com "um olhar de fora": distanciado da comunidade africana e afro-descendente estabelecida no País.

Alertados por Marco Aurélio Luz percebemos seu pensamento segregacionista-científico europeu, conseqüente de sua época:

"O critério científico da inferioridade da raça negra...
Para a ciência, não é esta inferioridade mais do que um fenômeno
de ordem perfeitamente natural, produto da marcha desigual do
desenvolvimento filogenético da humanidade".



Ìrété Òwánrín

Orunmilá consulta Ifá para ir a Otá e descobrir os segredos das Eleye. O babalaô pede-lhe para fazer uma oferenda. Ele faz o sacrifício e parte para a cidade das mulheres pássaro.

Exú o vê, e notamos que possivelmente Exú estava sob a forma de um pássaro (o grifo é nosso):
"Exu (que faz o bem e o mal, que faz todas as coisas).
Exu transforma-se rapidamente,
Tornou-se então uma pessoa.
Ele vai chamar todas as àjé que estão em Ota."
(Verger; 1992:42)

E conta para as Ajé que Orunmilá possui um pássaro tão poderoso quanto o delas. As donas do pássaro estranham:

"Elas dizem, este homem tem um pássaro?"
(Verger; 1992:42)

As Iabás foram avisadas por Exú que a divindade Orunmilá possuía um pássaro, porém elas referem-se ao Orixá como homem, ressaltando a relação de gênero. Ao se dar o confronto entre ele e as Ajé, ao verem Orunmilá sentado ­ o que indica uma falta de respeito - elas praguejam:

"elas dizem que não querem retirar
seus maus olhados do corpo de Orumilá.
Elas dizem que lutaram com ele.
Elas dizem que elas estão em cólera porque
ele conhece o segredo delas.
Elas dizem, eles querem assim conhecer seu segredo.
Elas dizem, se elas pegam Orumilá, elas o matarão."
(Verger; 1992:42)

Orunmilá consulta outro babalaô, Tèmáyè, que indica-lhe um ebó4 para ficar protegido da fúria delas. As Eleye comem o ofertado e tentam novamente perseguir Orunmilá, porém não conseguem mais vê-lo. Orunmilá fala:

"... àjé não é severa, ela não pode comer ekujebu, vós de modo algum, podeis matar-me.
Ele diz, o frango òpìpì não tem asas para voar sobre a casa, elas não podem matar-me.

Isto foi o que Òrúnmilá fez naquele dia, para que elas não sejam capazes de matá-lo, quando Òrúnmilà foi a Òtà para ver o segredo delas."
(Verger; 1994:39)


O ebó que Orunmilá ofereceu faz parte das proibições para as ajés.

Resenha
Até então grandes mitos foram levantando sobre a Iyami Òsòròngà, por falta de dados que pudessem fornecer um embasamento para sua definição, contudo sabemos que ela é um orisá o mais antigo e famoso conhecido por todas as nações africanas cultuadas dentro do Brasil.
Qualquer definição que fuja deste referencial é um erro grave ao culto.
Iyami Òsòròngà é se sempre foi reverenciada pelos babalawos em seus itans e culto á Odu.

óloge óloba ikú iké obarainan

Osùn - A Magia das águas doces.

O presente tema apresenta, como personagem central, o Orixá Oxun, deusa do amor, das 
águas doces, da beleza e da feminilidade. 
Oxun teria nascido de uma concha depositada por sua mãe Yemanjá, na margens de um 
grande rio ao qual empresta o seu nome, Rio Oxun, em yorubá "Odô Oxun". 
É nos locais mais profundos deste rio, entre as localidades de Iguedé onde nasce e Leké, onde 
desemboca numa lagoa, que Oxun é originalmente cultuada, tendo o seu templo principal 
edificado nesta região, na aldeia de Oxogbo, palavra do dialeto yorubá que significa: "Oxun 
atingiu a maturidade". 
No percurso do rio, que corresponde à trajetória do próprio Orixá, Oxun assume diferentes 
características, todas ligadas à maneira de ser das mulheres, de seu caráter e atitudes, de suas 
qualidades e defeitos. 
Assim, o africano se refere à diferentes "caminhos" deste Orixá, que serão descritos de forma 
particular, sempre comparados a situações específicas do procedimento feminino. 
Temos então, Oxun Kayode, representada pela dança de Oxun, repleta de movimentos que 
denotam a sensualidade revelada na maneira de andar, de se movimentar e de proceder das 
mulheres. 
Yeye Kare representa o culto à beleza e à vaidade feminina, é descrita como "O Espírito que se 
reflete no espelho", motivo pelo qual Oxun está permanentemente se admirando na superfície 
de um espelho, do qual não se separa nunca. 
O gosto pela riqueza, pela opulência e pelo uso de jóias e adornos se revela no caminho de 
Oxun Bumi, onde a yagbá cobre-se de pulseiras, brincos e colares de ouro, metal que lhe 
pertence por direito e ao qual está ligada de todas as formas. 
Oxun Sekese representa a aparente fragilidade feminina, artifício usado para obter a proteção 
dos representantes do sexo masculino. 
Oxun Ibukola é a sedutora irresistível e representa o poder de sedução feminino. 
O espírito maternal é representado por três diferentes caminhos onde Oxun Fumike 
proporciona a possibilidade de gerar filhos, Oxun Oxogbô assiste a mulher na hora do parto, 
desempenhando aí, a função de parteira e Oxun Funke é a mestra, representando a mãe que 
orienta e ensina aos filhos as primeiras palavras e passos no seu primeiro contacto com o 
mundo e com a própria vida. 
Oxun Miwa, o Espirito das Águas Doces, está, de certa forma, ligada ao processo de gestação e 
dizem que assiste e protege o feto durante todo o período de gravidez, sendo a dona do 
líquido aminiótico. 
A inconstância do caráter feminino é representada por Oxun Akura Ibú, que se faz presente 
nos locais de encontro das águas do rio com as do mar.
A mulher guerreira, batalhadora e belicosa é representada por quatro caminhos de Oxun, nos 
quais porta sempre uma espada. Nestes caminhos a Orixá é conhecida como: Oxun Apará, 
Oxun Oke, Oxun Ipondá e Yeye Iberin, todas consideradas como guerreira poderosas. 
A mulher madura, consciente de sua graça e elegância, revestida de respeito e classe é 
representada por Oxun Ede. 
A partir daí, Oxun assume características relacionadas à mulher envelhecida, cheia de manias e 
preconceitos, ranzinza e implicante e é então representada por Oxun Ogá. 
No último caminho, vamos encontrar Oxun Abotô, considerada velha e decrépita e envolvida 
em ações misteriosas e obscuras relacionadas, talvez, à prática da feitiçaria. 
Oxun, então, assume e revela todo o poder feiticeiro da mulher. Desprovida agora de 
escrúpulos e do sentimento de piedade, contesta a pseudo superioridade do macho e cria uma 
sociedade secreta estritamente matriarcal denominada Sociedade Gueledé, onde a face 
maligna é encoberta por máscaras muitíssimo elaboradas. É Oxun Awe quem se encarrega de 
organizar esta sociedade onde o homem não tem vez, devendo, tão somente, submeter-se de 
bom grado às exigências de suas líderes. 
Oxun, reunindo em si mesma todas as diferentes manifestações anteriormente descritas, 
assume para si o absurdo poder de Yámi Ajé - a Mãe Feiticeira – e, investida deste poder, 
controla a vida e a morte, punindo ou premiando indiscriminadamente, sem senso de justiça e 
sem julgamento. 
Aí, é representada pela grande cabaça Igbadu, símbolo do ventre gerador, encimada pelo 
pássaro Oxorongá, representação do poder feiticeiro ilimitado que pode enviar aonde bem 
entender de acordo com sua conveniência. Surpreendentemente, determina que esta cabaça 
jamais seja vista ou cultuada por mulheres. 
QUALIDADES DE OXUN SEGUNDO A SANTERIA DE CUBA 
1 - IBU KOLE 
Esta Oxun nasce no Odu Ogbetura e come galinha d’angola. É aquela que cuida da casa e 
recolhe o lixo produzido dentro dela. Seu fio de contas é amarelo ouro intercalado com âmbar 
e corais. 

2 - OXUN OLOLODI 
Trata-se de uma Oxun guerreira que porta uma espada. Seu adê é adornado com búzios. 
Carrega um erukeré com o cabo adornado com contas de Orunmilá. Dentro de sua sopeira 
coloca-se areia do mar e do rio misturadas. Entre os ararás é conhecida como Atiti. 

3 - OXUN OPARA ou APARÁ. (Em Cuba: Ibu Akparo) 
Esta qualidade de Oxun nasce no Odu Owónrin Meji. 
Seu nome secreto é Iganidan. É aquela que reina sem coroa. É representada pela codorna. Vive 
na desembocadura do rio com o mar e, segundo dizem, é surda. Come codornas e, com 
Yemanjá, come duas galinhas cinzentas. 

4 - OXUN IBÚ ANAN. 
Esta Oxun é tocadora de tambor e nasce em Oturukponyekú. Seu orikí diz: Aquela que ao ouvir 
o tambor corre em sua direção. 
5 - IBU INÃNI. 
Aquela que é famosa nas disputas. Seu igbá fica sobre areia de rio. Leva um abebé de metal 
com dois guizos. Os ararás a chamam de "Tukusi" ou "Tobosi". 
6 - OXUN IJIMU OU YUMU. 
Aquela que faz inchar a barriga sem que haja gravidez. Esta Oxun é belíssima e nasce no Odu 
Ika Meji. Os ararás a chamam de "Tukusi" ou de "Tobosi". 

7 - OXUN IBU ODONKI. 
Esta Oxun vive em cima de um pilão. Ao lado de seu igbá coloca-se um cesto com material de 
costura. Seu oriki diz: O rio está crescendo e suas águas estão cheias de lixo. Entre os Ararás é 
conhecida como "Tokago". 
8 - OXUN IBÚ ODOÍ. 
Esta Oxun come inhame e, junto dela deve-se manter sempre, um inhame cru. É estreitamente 
ligada com as Iyami e possui o dom da feitiçaria. Entre os ararás é conhecida como "Fosupô". 
9 - OXUN IBU OGALE. 
Esta Oxun vive rodeada de telhas de barro É uma Oxun velha e guerreira, considerada a 
guardiã das chaves. Os ararás a chamam de "Oakerê". 
10 - OXUN IYEPONDÁ. 
A lenda conta que foi esta Oxun quem liberou Xangô do cativeiro. Segundo outra lenda, esta 
Oxun foi morta e atirada às águas de um rio, onde logrou ressuscitar. É guerreira e brigona. 
Entre os ararás é conhecida pelo nome de "Agokusi". 
11 - OXUN IBU ADESÁ. 
Esta Oxun é a dona do pavão real, animal que lhe é sacrificado. Seu nome significa: "A Coroa é 
Segura". Entre os ararás é conhecida como "Abotô". 
12 - OXUN AYEDÊ OU EYEDE. 
Seu nome significa: "Aquela que age como uma rainha". Os ararás a chamam de Iyaáde. 
13 - OXUN OKPAXE ODO. 
"Aquela que ressurgiu do rio depois de morta". É conhecida, entre os ararás, como "Totokusi". 
14 - OXUN IBUMI. 
Esta Oxun é representada pelo camarão de água doce que, por sua vez, é seu prato preferido. 
Não tem paradeiro, é caminhante e fujona. Entre os ararás é conhecida pelo mesmo nome. 
15 - OXUN IBU LATIE. 
Esta Oxun vive no meio do rio. Só come em cabaças e seu igbá leva 15 flechas e cinco idés 
dourados. Não possui coroa e quando é vestida enrola-se sua cabeça num ojá amarelo com um 
filá de búzios pequeninos. Seu nome indica que possui poderes ilimitados e que tem 
fundamento com Exú Elegbara. Os ararás a chamam de Kotunga. 
16 - OXUN ELEKÉ OIYN. 
Esta é uma Oxun guerreira e aguerrida. Seu igbá tem que estar sempre besuntado de mel de 
abelhas da mesma forma que, segundo a lenda, massageava seu próprio corpo com este 
material. É muito forte e carrega nas mãos um bastão com a ponta em forma de forquilha. 

17 - OXUN ITUMU. 
Esta é uma Oxun guerreira e que adora confusões. Veste-se de branco e usa calças compridas 
como os homens. Dizem ser uma temível amazona que nas águas combate montada num 
crocodilo e na terra, no lombo de um avestruz. Habita as lagoas de águas doces e pode ser 
encontrada sempre na companhia de Inle e de Azawani. Os ararás a cultuam com o nome de 
Hueyagbe
18 - OXUN TINIBÚ. 
Esta Oxun vive com Igbadu e nasce no Odu Ireteyero. É a matriarca da Sociedade das Iyalodes. 
Come cabra, cuja cabeça, depois de seca, é colocada sobre seu igbá. Conta a lenda que tem 
uma irmã chamada Miuá Ilekoxexe Ile Bomu, que é cultuada junto com ela. Esta outra Oxun 
não toma a cabeça de ninguém. 
19 - OXUN AJAJURA. 
Esta Oxun vive em lagoas, não usa coroa e é muito guerreira. Em seu igbá coloca-se um casco 
de tartaruga. 
20 - OXUN AREMU KONDIANO. 
Teria sido a primeira a se manifestar numa cabeça humana. Veste-se inteiramente de branco e 
seu fio de contas é de nácar e coral com gomos de contas verdes e amarelas (de Orunmilá). 
Trata-se de uma Oxun muito misteriosa. Tem estreita ligações com Obatalá, chegando, por 
vezes, a ser confundida com ele. Esta Oxun, segundo um itan do Odu Ogbekana, foi quem 
ajudou Orunmilá a esquartejar o elefante. Os ararás a chamam de Tefande. 

21 - OXUN IBUSENÍ. 
Esta Oxun vive nas pequenas poças d’água que se formam próximo das margens dos rios. É 
assentada em duas sopeiras. Cada uma com um otá. É conhecida como Ajuaniynu, entre os 
ararás. 
22 - OXUN IBUFONDÁ. 
Esta Oxun morreu na companhia de Inle. Está sempre em guerra e não abre mão de uma 
espada. Seu prato predileto é o inhame. Os ararás a conhecem como Zehuen. 
23 - OXUN IBU ODOKO. 
Esta Oxun é muito poderosa e nasce em Ogbekana. É agricultora e acompanha Orixaoko. 
24 - OXUN AWAYEMI. 
Esta Oxun nasce em Oyeku Meji. É inteiramente cega e vive na companhia de Azawani e 
Orunmilá. 

25 - OXUN IBU ELEDAN. 
Esta Oxun nasce no Odu Oxe Leso (Oxe Irosun). É a dona das fossas nasais Come cabrito 
capado e pequeno. 
26 - OXUN IDERE LEKUN.
Nasce no Odu Oturasá. Vive nos buracos formados nas pedras pelas ondas do mar nos locais 
de encontro do rio com o mar. Leva um atabaque de cunha chamado "koto". Não usa coroa e 
esconde o rosto que é deformado, com uma máscara de bronze. 
27 - OXUN IBU INARE 
Vive sobre o dinheiro e, na praia, sobre o caramujo aje. Esta Oxun não gosta de dar dinheiro a 
ninguém. 

28 - OXUN AGANDARÁ. 
Esta Oxun nasce no Odu Ikadi. Vive sentada numa cadeira de braços ou num trono. Seu igba 
deve estar sempre coberta com folhas secas de oxibatá e oju oro
oloje iku ike obarainan